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Reação do Franco quando tentávamos dar pedaços de comida na boca dele - Tó, filho, sua bananinha. Franco vira a cara. - Come,...

Ele me viu!

8 Comentários
Reação do Franco quando tentávamos dar pedaços de comida na boca dele

- Tó, filho, sua bananinha.

Franco vira a cara.

- Come, filho, a banana que você pediu. Ó, tá gostosa...

Aproximo a fruta da boca e ele se afasta. “Meu Deus, o que aconteceu? Ele evoluiu nisso, estava comendo pedaços... Mas agora parece que retrocedeu. A repulsa ao alimento voltou!”

- Vamos, filho...

Começa o choro. Gritos. Culpa. “Fiquei muito tempo sem dar fruta em pedaços pra ele. É isso. Eu não podia ter voltado a dar a banana amassada depois que ele aprendeu a comer pedaços. Agora vai retroceder. Vai ser assim com tudo. Um vacilo meu e ele vai retroceder no desenvolvimento. Mas será possível que eu não vou poder relaxar nunca? Um instante? Nada no desenvolvimento dele é definitivo? Será? Tanto esforço pra ele conseguir e agora isso????”

Enquanto esse trem desgovernado de perguntas passou voando pela minha cabeça, as lágrimas começaram a correr. Ajoelhada ao lado do meu filho, abaixei a cabeça diante dele (e da banana). Ele olhou no fundo dos meus olhos nessa hora. Não sustentei o olhar. Estava prestes a levantar, rendida, para amassar a fruta.

Antes disso, respirei fundo e apontei a banana pela última vez para a boca do Franco. Calmamente, ele abriu, mordeu, mastigou, me encarou e voltou a apertar a massinha de modelar na mesa. Meu choro veio com tudo. Foi a primeira vez que senti meu filho me enxergar. Ele, de fato, me viu. Foi como se desviasse de um bloqueio por mim, para me ajudar a sair daquela angústia.

O choro deu lugar ao alívio. Percebi que Franco só externava emoções para atender suas próprias necessidades. Mas, naquele dia, eu o vi inaugurar o caminho da compaixão.

***


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8 comentários:

  1. Bom dia Odara. No dia a dia procuramos nos apegar a cada detalhe que nos trás esperanças ao coração. Um simples olhar nos olhos nos enche de alegrias e isso é uma coisa boa para nós. O que não estou conseguindo fazer é colocar em meu coração que, após cada momento bom pode vir a tempestade. Isso nos deixa, eu e minha esposa, muito confusos com relação ao Theo. Pois há dias em que ele acorda e passa um dia perfeito, abraçando, beijando e sendo uma criança das mais receptivas e carinhosas. Em outros acorda com o espírito inquieto, muitas vezes até mesmo agressivo, se debatendo até na troca de fraldas, se negando a comer, etc…
    Parabéns! Mais um texto com muita sensibilidade que está fazendo com que me torne a cada dia um pouco mais seu fã e também do Franco. Tenham um bom dia...

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    1. É bem isso mesmo, Helio. Aproveitar cada momento. Nos momentos de inquietude, tento isolar a frustração e pensar que aquilo logo vai passar. Tento também não ficar tão ansiosa, mas nem sempre conseguimos. Acho que ansiedade atrapalha muito. Vez ou outra, converso com Franco como se ele não estivesse chorando ou berrando, costuma funcionar. Parece que o choro perde um pouco do sentido pra ele...

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  2. Comentário de minha esposa após ler seu texto Odara: "Impressionante como até um pedaço de banana é uma vitória". Fiquemos em paz...

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  3. Querida sobrinha, vejo o quão maduro são seus textos e como aprendemos com eles. Beijão do tio gordão que te ama muitão

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  4. Conheci seu blog hoje, me emocionei a cada texto que li. Tive um afilhado autista, que infelizmente faleceu a dois anos, quando tinha apenas 5 anos, foi um acidente... E hoje sempre que vejo algo sobre o assunto, quero aprender mais e mais. Parabéns pela iniciativa, sem sombras de dúvidas, ajudará muitas famílias a lidar com essa situação.

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  5. Boa tarde. Me interesso muito pelo assunto e tenho lido bastante, pois há uma criança próxima que possui este espectro, é é intrigante e instigante. Numa de minhas pesquisas na internet sobre nutrição, li que a dieta influencia muito, inclusive na agressividade. Se não me falha a memória, o glúten. Vale a pena pesquisar, ou buscar um nutrólogo. Também li que a dieta cetogênica ajuda ou elimina os ataques de epilepsia. Ritalina ou remédios só agravam a doença. Se puder ficar longe, melhor. espero ter contribuído. Deus nos proteja.

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  6. Deus sabe o que faz, deu ao Franco essa mae maravilhosa. Amo voces.

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  7. Eu sempre me acostumei com a idéia de que nada na vida era fácil e que facilidade nunca existiu pra mim, no entanto depois do Arthur parece que eu realmente não sabia o que era NÃO SER FÁCIL, eu não sabia o que era lutar de verdade. Todos os obstáculos que passei na vida não chegam nem perto disso, todas as vezes que chorei de alegria por algo que conquistei nem se aproximam do choro de alegria quando ele conquista algo. É incrível como as aparentes pequenas vitórias fazem tanta diferença na minha vida, são coisas que jamais esquecerei. Fico muito feliz em saber que não é apenas eu que passo por isso, não é apenas eu que me sinto assim. Que Deus possa estar olhando por nós todos os dias e nos ajudado sempre.

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