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No dia em que soube que esperava um menino, não chorei de emoção. Meus olhos nem sequer ficaram molhados. Senti um frio na espinha e le...

Mãe escondida

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No dia em que soube que esperava um menino, não chorei de emoção. Meus olhos nem sequer ficaram molhados. Senti um frio na espinha e lembro da primeira coisa que passou pela minha cabeça: "Não posso criar um homem babaca". Parece que foi ali, com aquele medo súbito da responsabilidade, que descobri que seria mãe.

Para honrar a espécie, eu também fiquei ansiosa para a primeira homenagem de Dia das Mães na escolinha do Franco. "Vai ser cafona, vai ser bagunçado, mas eu vou amar", pensei. Franco tinha dois anos e pouco, não havia sido diagnosticado, era só um menino que não falava ainda e era fortemente apegado a todo tipo de rotina.

As crianças ensaiaram uma música para oferecer às homenageadas. Como Franco ia reagir em frente ao paredão de câmeras e celulares apontados para ele? Ele é diferente, não gosta de multidão. Vai chorar, certeza. Já me imaginei abrindo o mar de mães para tentar conter os berros. Normal, vai? Toda criança chora nesses eventos. Vamos lá.

Tracei um plano. Enquanto as outras mães assistiam a seus filhos com tchauzinhos frenéticos e acenos de incentivo, eu me escondi. De longe, observei atentamente para onde os olhinhos Franco apontavam, e ele parecia me procurar. Apesar disso, esboçou algo parecido com um canto. Não chorou. Não se assustou. Ouviu a música, entendeu como era a dinâmica daquele evento diferente da sua rotina e aproveitou.

O meu presente foi perceber que em tão pouco tempo ele estava adaptado e tranquilo na escola. Ele não olhou nos meus olhos para cantar a música de Roberto Carlos como muitas das outras crianças. Franco sequer me viu. Tudo bem pra mim. Naquele dia, o que me fez sentir especial, o que me encheu de orgulho, foi ver que ele era mais um garoto comum em meio à multidão.

* Me arrisquei a editar (pela primeira vez!) um videozinho da “apresentação” do Franco. Ele é o garotinho de camiseta azul escura e amarela sentado ao lado da professora.




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5 comentários:

  1. Bom dia Odara, mais uma vez você fez com que me viessem lágrimas aos olhos... Está chegando o dia das mães é estou ansioso para ver como o Theo irá se comportar se houver algo na escola em que ele está... Beijos no Franco...

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  2. Também tivemos a festa do dia da mãe esta semana. Correu tudo bem, fizemos um mural pintado com as nossas mãos :) É desses momentos bons que retiramos força para os outros...

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  3. Parabéns pela sua iniciativa. Com sua licença, publiquei uma chamada em minha página do face. O crescimento do autismo será gigantesco nos próximos tempos, frutos de uma série de desequilíbrios que vivemos atualmente e não nos damos conta. Mas há boas notícias, inclusive de melhora substancial por intermédio de alterações alimentares, utilização de clorito de sódio e outras medidas de desintoxicações de metais tóxicos, vírus e bactérias. Há muita luz no fim do pequeno túnel. Gratidão por seu esforço e parabéns pela iniciativa.

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    1. Muito obrigada, João Carlos Baldan! É sempre uma esperança saber que o assunto está cada vez mais difundido e que soluções para melhorar a qualidade estão sendo descobertas!

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