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- Filho, quer levar algum brinquedo pro banho? - Bolinhas! - Tá bom. Pode ser só a azul? - Qué a branca. - Tó. - ...

Resposta

11 Comentários


- Filho, quer levar algum brinquedo pro banho?

- Bolinhas!

- Tá bom. Pode ser só a azul?

- Qué a branca.

- Tó.

- Qué a amarela.

- Tó.

- Qué a marrom.

Lá fomos nós com quatro bolinhas para o banho. No caminho de alguns passos até o banheiro, Franco tentava equilibrar as quatro sem sucesso. Ele não queria ajuda. Queria mesmo era conseguir vencer aqueles metros sozinho carregando suas coisas. Alguns minutos entre gemidos de raiva e passinhos rápidos. Chegamos ao banheiro.

Enquanto a banheira enche, Franco coloca as bolinhas uma a uma e observa um pouco a água subindo. Ficou monótono. Sobe na privada e salta no chão (ou no meu colo) algumas dezenas de vezes. “Finalmente essa banheira encheu!” Dentro da banheira, Franco tenta alinhar as bolinhas e deixá-las paradas na água. Não consegue. Mas já faz um tempo que ele entendeu que não tem como dominar o movimento da água e não se irrita mais com isso. Uma frustração a menos na vidinha dele. Rs.

Antes mesmo de o banho terminar, eu já estava sofrendo. “Ele não vai querer largar essas bolinhas nem pra colocar a roupa, vai levar HORAS pra carregar todas de volta pro quarto, não vai querer largar pra mamar, já vi tudo. Afe!”

- Filho, vamos deixar as bolinhas na banheira pra tomar banho com elas amanhã? Boa ideia, né?

- Qué levá.

- Tá.

Tenta equilibrar todas elas enquanto sai na banheira. Elas se espalham, ele reclama. Eu espremo cada uma para tirar o excesso de água e consigo ajeitar de um jeito que ele consegue carregar. Bolinha pra cá, bolinha pra lá, coloca uma blusa. Mais bolinha pra todo lado e todo o pijama está colocado. Mamadeira e cama. Franco tenta colocar todas no travesseiro, na linha dos olhos para não perder de vista, mas as bichinhas parecem que têm vida própria!

- Qué colocar ali.

Franco aponta a cabeceira da cama. Alinho todas as bolinhas no “altar”. Ele fica olhando, quietinho. Tranquilo. Dou boa noite pra ele. E repito a pergunta que até hoje, todas as noites, tinha ficado sem resposta.

- Cê me ama, filho?

- Sim.
***


Outros textos

11 comentários:

  1. Bom dia Odara. Fico ansioso toda semana à espera do seu texto. Me acostumei a lê-los pois, como já te disse, vejo o “meu” Theo em cada palavra que você escreve. Às vezes chego em casa e minha esposa me pergunta: “Algum texto novo da Odara?” Virou uma certa rotina esperarmos suas palavras. E mais uma vez você demonstrou uma habilidade incrível para transcrever em palavras tudo o que sentiu no episódio descrito. Confesso que neste texto em particular cheguei a pensar que meus olhos não se encheriam de lágrimas. Mais um engano meu. Ao ler a última palavra meus olhos se encheram e fiquei com a fala embargada a ponto de meus companheiros de trabalho perguntarem se havia acontecido alguma coisa. Só consegui responder me apropriando da mesma palavra. “Sim”. E ainda estava chorando. Mais uma vez obrigado Odara. Não deixe de nos presentear semanalmente com seus textos.

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    1. Oi, Helio! Mais uma vez me sinto feliz pelo seu comentário tão carinhoso... Ia escrever sobre outro assunto na quarta à noite, mas Franco me surpreendeu com essa cena linda naquela mesma noite e quis compartilhar com vocês. Obrigada por acompanhar sempre! Beijinhos no Theo!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Como sempre, sorri ao final. Aguardo os textos ansiosa.
    <3
    Mariana

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    1. Que bom, Mariana! Nada mais gratificante do que despertar um sorriso. :)

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  4. Como é possível conseguirmo-nos relacionar tão bem com uma realidade tão distante.
    O meu filho tem um autismo diferente, mas ainda assim, comovo-me com cada um dos seus textos. Escreve que é uma maravilha, Odara. Com o coração...

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    1. Obrigada pelo elogio, Catarina! É sempre bom saber que conseguimos tocar as pessoas com nossas experiências. Procuro expor tudo aqui com muito carinho e sinceridade. Beijos!

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  5. Queria postagens duas vezes por semana.. Aprecio muito.

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  6. Tb queria mais postagens Odara rss...parabéns pelo blog. Claudia

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  7. Lindo texto!Me preocupei com a história de subir na privada, é perigoso! Acidentes com crianças subindo em privadas são horríveis, elas podem rachar e cortam profundamente.

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  8. Lindo texto!Me preocupei com a história de subir na privada, é perigoso! Acidentes com crianças subindo em privadas são horríveis, elas podem rachar e cortam profundamente.

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