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Eu, Franco e Tia Lara Essa semana, um texto especial escrito por Lara Deus, tia do Franco, sobre como a relação entre eles é construída...

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Eu, Franco e Tia Lara
Essa semana, um texto especial escrito por Lara Deus, tia do Franco, sobre como a relação entre eles é construída a cada dia:

Franco foi meu quinto sobrinho em um intervalo de 3 anos. Nasceu prematuro e nem pude te olhar na maternidade. Mas minha irmã morava no prédio ao lado e passear com ele às manhãs virou rotina. Era um bebê que ria de tudo. Tudo mesmo. Mas aos poucos ele foi se fechando no seu mundinho e ligamos esse comportamento ao retorno da mãe ao trabalho.

Sempre quando vinha em casa, espalhava os brinquedos no chão e assistia à Peppa Pig. Gostava de vê-lo mexer nos objetos, mas raramente ele atendia ao pedido “Franco, vem aqui, dá um abraço na tia!”. Uma certa tarde de sábado, sentada no sofá enquanto ele brincava, senti a nossa primeira conexão. Em um instante qualquer, sem mesmo ser solicitado, correu pro sofá, deitou no meu colo e começou a esfregar a cabecinha na minha perna, como se pedisse carinho.

Quando tinha por volta de um ano e meio, Franco não largava os pais de jeito nenhum. Quando a Odara deixava ele em casa comigo, nem que fosse pra uma ida ao mercado, ele chorava sentido durante toda a ausência. Foi em uma dessas “longas” separações que Franco se conectou de novo comigo. Peguei ele no colo, comecei a conversar e expliquei que não precisava chorar, porque a mãe voltaria rapidinho. Logo ele foi parando, encostando a cabeça na minha e ficou apertando a minha orelha - mania que ele tem desde muito pequeno - enquanto se acalmava e parava de soluçar.

Já mais velho, perto dos três anos, Franco já morava em outra cidade e nossos contatos eram mais raros. Cheguei a sua casa a poucos dias do natal de 2015 e, mesmo com nossa presença e uma rotina um pouco diferente, ele parecia não se incomodar. Era como se, pra ele, as visitas não estivessem ali. Assim, os pedidos “vem dar um abraço na tia que tá morrendo de saudade” ainda não eram atendidos.

Certo dia, ele estava ansioso esperando para almoçar quando eu chamei sua atenção mexendo o balanço em forma de avião que tem no quintal. Franco veio correndo pra conferir e ficou olhando pra mim, desconfiado. Estendi o braço na intenção de pegá-lo e colocar em cima do brinquedo, mas o gesto foi de apreensão, cruzando os bracinhos.

Horas depois, me ofereci para colocá-lo na balança de novo:

- Franco, quer brincar no aviãozinho?

- Sim!

Com a confiança conquistada, em todos os dias restantes, Franco repetia o ritual. Puxava minha mão, apontava o aviãozinho e dizia “sim!”.


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2 comentários:

  1. Estava sentindo a falta de um novo texto no blog... parabéns à tia do Franco. Escreve muito bem também... a vida com um filho ou sobrinho que apresenta um dos níveis de TEA é a eterna busca da confiança, da aceitação e dos "sim"... Nós, aqui em casa, continuamos nossa luta por um diagnóstico com o Theo... abraços apertados em vocês... força sempre...

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  2. Olá Odara! Olá Lara! Olá Franco e a todos que escrevem por aqui! Que belo relato de convivência e insistência, de acreditar e doar-se. Que presença forte de Lara na relação com Franco. E a resposta chegou. E a resposta chega. E a resposta acontece. Uma repetição de crescimento para todos, incluindo-nos neste blog alternativo. Um abraço apertado no trio fotogênico!

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