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Há crianças autistas que não falam. Alguns pais passarão a vida inteira sem ouvir uma única palavra de seus filhos. Aquele "eu te a...

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Há crianças autistas que não falam. Alguns pais passarão a vida inteira sem ouvir uma única palavra de seus filhos. Aquele "eu te amo" que é quase terapêutico para quem cria/cuida de outro ser humaninho pode simplesmente nunca ser dito.

O Franco fala. Fala. E como fala. Daqueles que fazem jus à piadinha "demorou pra falar, mas depois que começou..." É bem isso, não parou mais. De uns tempos pra cá, aprendeu a falar que me ama.

Na ausência de palavras para definir o quanto isso me fez feliz, realizada, envaidecida, a reação do Franco faz bem esse papel: Ele não para de repetir "eu te amo, mamãe!"

É... autistas são repetitivos. Se eles têm um reforçador então, farão aquilo para se sentir bem inúmeras, inúmeras, incontáveis vezes. A minha reação àquelas três palavrinhas transformadoras deve ter sido um reforçador e tanto. A criança simplesmente não para de falar que me ama. Se ele estiver feliz, animado, fala ainda mais vezes do que o normal.

Assim, longe de mim querer reclamar, mas (tem sempre um "mas")... E quando o eu te amo vira tipo uma vírgula na frase? Ele tá falando de coração mesmo ou tem um tanto de ecolalia nisso aí? E se for só uma frase que ele se sente bem dizendo por causa do reforçador (minha reação)?

Tem sentimento nisso? Não tem? Porque eu tô problematizando em cima disso se é óbvio que essa criança me ama!? Ama mesmo?

Gente... Não era só pra ficar feliz quando o filho fala que ama e ponto?

Não é só isso. Seria cômodo, mas não é. Não posso me conformar com uma frase que infla ego e aquece o coração. Cada detalhe importa e pode determinar o quanto ele vai se desenvolver. Se a frase é dele ou é repetida. Em que momentos fala. É funcional, não é.

A mim, cabe ficar atenta, ligada, não dá pra se contentar. Franco é diferente e precisa de uma mãe igualmente diferente.


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Um comentário:

  1. Faz um bom tempo que não escrevo aqui. Parabéns por mais um texto lindo e cheio e emoção. O Theo (meu filho) tem uma grande chance de se enquadrar na lista dos que falarão tarde ou nunca falarão... Queria muito ouvir sua voz dizendo "te amo papai" mesmo que fosse ecolalia...

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