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Uma dolorosa separação, que evolui para alívio, que ganha ares de adolescência tardia, que volta a doer, que só depois entra na calmaria....

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Uma dolorosa separação, que evolui para alívio, que ganha ares de adolescência tardia, que volta a doer, que só depois entra na calmaria. Vivi todas as importantes fases de autoconhecimento que transcorrem após uma mudança tão drástica no meio do caminho. No fim, cheguei no ponto em que gostaria e almejava. Feliz, em paz e, principalmente, maravilhosamente sozinha.

Aquela solteirice dos sonhos _que antes eu achava ser recalque dos encalhados_ finalmente foi alcançada. Minha presença me bastava. Ficar na companhia de um parceiro por mais de 24 horas já me dava coceira. "Cheguei no auge!", pensei.

Mas um encontro bastou. Em bem menos que 24 horas eu, que antes estaria prestes a devolver o rapaz ao local do encontro, estava firmando um compromisso de namoro. O sentimento que me preencheu em nada se parecia com uma arrebatadora paixão. Era mais como o alívio de voltar para casa depois de uma longa viagem. Um reencontro tranquilo e seguro. Uma agradável surpresa.

Deste primeiro e definitivo encontro, saí com um cordão e uma linda pedra dente de tigre pendurada. "É para te proteger. Tem a minha energia, que agora está com você", Johnny disse. Não tirei mais.

Franco não estava comigo no fim de semana em que tudo pra mim ganhou novas cores. Mas ele logo percebeu que algo tinha mudado definitivamente.

- O que é isso no seu pescoço, mamãe?

- É um colar, filho.

- Quem te deu?

- O Johnny.

- Por que ele te deu?

- Ah, filho... Acho que é porque ele gosta muito da mamãe... Quis que eu lembrasse dele... Assim... Foi um presente, entende? A gente se conheceu, ele me deu antes de ir embora e...

- É uma coleira, mamãe?

Franco, certeiro, ouviu uma gargalhada como resposta. E sorriu de volta.

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